• Gabriel Carvalho

Abelhas - espécies sem ferrão e com ferrão


A maioria das espécies tem no néctar e no pólen das flores a sua principal fonte de nutrientes, mas existem, ainda, algumas espécies que são carnívoras e outras ladras, vivendo apenas da pilhagem dos ninhos de outras abelhas.





Como já vimos, a super-família Apoidea é formada por diversas famílias. Dentre as famílias, a que apresenta hábitos sociais mais avançados é a família Apidae, composta por quatro subfamílias:Apíneos, Meliponíneos, Bombíneos e Euglossíneos.


As abelhas da subfamília Meliponídea(Hymenoptera, Apidae), são as abelhas indígenas sem ferrão. Este nome é designado a elas por possuírem o ferrão atrofiado sendo, portanto, incapazes de ferroar. Estas ocorrem na América do Sul, na América Central, na Ásia, nas Ilhas do Pacífico, na Austrália, na Nova Guiné e na África. No Brasil, há cerca de 300 espécies de abelhas indígenas sociais.


As três primeiras subfamílias encontram-se em estado social mais avançado, e a quarta é formada, na grande maioria, por abelhas solitárias ou de hábitos sociais primitivos. Na subfamília Apíneos, encontramos as abelhas do gênero Apis mellifera e, somente para vias de comparação, destacaremos algumas características destas abelhas que se diferenciam, principalmente, pela presença do ferrão.


Apis mellifera



A palavra “mellifera” quer dizer “carrega mel” e esta é a espécie produtora de mel mais conhecida. São abelhas grandes e escuras, com poucas listras amarelas. Possuem língua curta (5,7 a 6,4 mm), o que dificulta o trabalho em flores profundas. Produtivas e prolíferas, adaptam-se, com facilidade, a diferentes ambientes, propolisando com abundância, principalmente em regiões úmidas.


São famílias bem estruturadas, pois se protegem facilmente contra ataques de predadores e ação das intempéries, seja por meio de estruturas físicas (dentro dos buracos e ocos de árvores), seja pela presença de um grande número de abelhas operárias guardiãs. Em situações defensivas, estas abelhas atacam seus inimigos de várias maneiras.


O ataque mais comum da Apis mellifera é utilizando um ferrão ligado a uma bolsa de veneno, que se localiza na extremidade do abdômen. Após a picada, o ferrão fica preso à pele e a bolsa de veneno permanece pulsando durante alguns minutos, injetando veneno. A abelha morre, pouco tempo depois, por hemorragia e pela perda de órgãos. Para atenuar o efeito da picada de abelha, o ferrão deve ser retirado, o mais rápido possível, de baixo para cima, sem que a bolsa de veneno seja pressionada.


A rainha


A abelha rainha é facilmente identificada pelo seu maior porte, e por ter um abdômen comprido. É encontrada com maior frequência nos favos centrais, onde se encontram as posturas mais recentes.


As operárias


As abelhas operárias são menores que as rainhas, com patas mais curtas (menores que as dos zangões) e abdômen arredondado. Elas nascem nos alvéolos, a partir dos ovos fecundados das posturas da rainha. Fazem todo o tipo de atividade, sempre seguindo uma ordem de desenvolvimento das tarefas pela sua idade como: higiene, busca de alimento e água, coleta de pólen, néctar e resinas.


Os zangões (machos)


Os zangões não possuem ferrão. Eles nascem em células maiores que as abelhas operárias, obtendo em relação a essas, vantagem em seu tamanho. Apresentam função reprodutiva, o que acontece quando uma rainha se enfraquece ou morre, havendo o nascimento de uma nova princesa, que fará o voo nupcial e se transformará na nova rainha. Geralmente, são mantidos na colmeia, em pequeno número, e expulsos nas épocas de escassez de alimento.


Meliponinae


A subfamília Meliponinae distribui-se em duas tribos, Meliponini, formada apenas pelo gênero Melipona, encontrado, exclusivamente, na região Neotropical (América do Sul, Central e Ilhas do Caribe), e Trigonini, que agrupa um grande número de gêneros e está distribuída em toda a área de distribuição da subfamília.


As principais Meliponini que habitam o Brasil são:


-Uruçu do nordeste (Melipona scutellaris);

-Mandaçaia (Melipona quadrifasciata);

-Tiúba (Melipona compressipes);

-Jandaíra (Melipona subnitida) e outras.


Entre as Trigonini citamos a Jataí (Tetragonisca angustula), a mais conhecida, pode ser encontrada desde a Argentina até as fronteiras com a América Central e que produz mel de excelente qualidade.


Existe uma grande diferença entre as abelhas indígenas sem ferrão e as Apis melliferas que vimos anteriormente. Os favos ou células das abelhas Apis são construídos no sentido vertical, justapostos, enquanto que das abelhas sem ferrão são feitos horizontalmente, estilo assobradado. As Meliponinae depositam o pólen nas células, misturando-o com mel. Depois que a rainha deposita os ovos, as células são fechadas e logo que as larvas nascem, já encontram alimento suficiente para se desenvolverem e tornarem-se adultas.


Outra diferença marcante: As melíponas armazenam seu mel, em potes, diferentemente das Apis, que o armazenam em favos.


Independente da espécie, as Meliponinae são insetos sociais, isto é, vivem em colônias constituídas por um grande número de abelhas operárias, que realizam a construção e a manutenção da estrutura física da colmeia, a coleta e o processamento do alimento, e a proteção da cria. Vivem em média 30 a 40 dias, sendo brancas ao saírem dos favos, escurecendo com o passar do tempo.


A rainha, quando fecundada, apresenta o ventre bem dilatado, podendo ser detectado a olho nu. Geralmente, habita a área de cria, circulando por entre os favos. As rainhas, nos meliponídeos, são incapazes de voar, havendo poucos relatos de sua fuga.


Os machos, que são produzidos geralmente nas épocas de abundância em alimentos, com a presença de células reais (mostrando que, em breve, haverá a fecundação de rainhas virgens), podem realizar algumas tarefas dentro da colmeia, mas a principal função é a fecundação das rainhas durante o voo nupcial. Após o acasalamento, os machos são enxotados dos cortiços. Os mais insistentes são inutilizados.

Os machos são menores e não possuem corbícula.


MEL


Sem sombra de dúvidas o mel é o mais consagrado dos produtos das abelhas. Basicamente, o mel é um alimento viscoso, produzido a partir do néctar das flores que as abelhas coletam, transportam para as colônias e processam. Durante o transporte das flores para as colônias, o néctar é armazenado em um órgão específico das abelhas, a vesícula melífera (ou papo de mel), uma espécie de bolsa onde o líquido adocicado colhido nas flores recebe algumas enzimas e começa a ser processado. Já na colônia, essa mistura de néctar com enzimas é desidratada

e armazenada nos potes (ou favos, no caso das Apis). O resultado do processo é uma solução concentrada de água e açúcares, especialmente frutose e glicose, enriquecida com proteínas, vitaminas, sais minerais le ácidos orgânicos.


A diversidade de aromas e sabores do mel reside na variedade de flores onde as abelhas colhem o néctar. No caso das abelhas sem ferrão, o número de espécies produtoras enriquece essa diversidade, já que cada tipo de abelha imprime no mel uma característica especial associada às suas enzimas específicas.

Comparado ao conhecido mel das Apis, o mel de abelhas nativas é menos viscoso (ou seja, mais líquido), menos doce (por ter mais água tem menos açúcares) e mais ácido. Contém ainda um teor natural de bactérias e leveduras, microrganismos que induzem sua fermentação. Logo, o mel de abelhas nativas não é tão estável quanto o mel de Apis, característica que demanda tratamento diferenciado.


Traduzindo em doçura a biodiversidade de flores e abelhas das regiões tropicais, o mel de abelhas sem ferrão é um universo a ser explorado e merece mais

espaço na rotina dos brasileiros. Missão para os meliponicultores que têm nesse desafio uma oportunidade de mercado. Sem falar das suas propriedades terapêuticas, tão conhecidas pela medicina popular e gradativamente desvendadas pela ciência.


Enxameação


O processo de multiplicação dos Meliponídeos é lento. Após localizar uma cavidade adequada, as operárias transportam material da colmeia mãe para fundar a estrutura do novo ninho. Após tudo pronto, a rainha virgem sai da colmeia mãe para realizar o voo nupcial com apenas um macho. Após fecundada, ela assume o novo ninho iniciando a postura.


Abelhas com ferrão - origem da Apis mellifera e mecanismo de defesa


Abelhas brasileiras com ferrão: origem


A espécie Apis mellifera, oriunda do Velho Mundo, é a mais conhecida entre as abelhas com ferrão. Desde os primórdios, ela vem sendo criada em larga escala para a produção de mel, cera e própolis. No entanto, esta espécie não existia no Brasil. Aqui, só existiam as espécies de abelhas nativas sem ferrão, como as da tribo Meliponini. Quem introduziu as abelhas europeias com ferrão, em nosso país, foram os jesuítas. Estes, em 1839, trouxeram de Portugal enxames para o Rio de Janeiro. Da mesma forma, fizeram os colonizadores alemães que, em 1845, introduziram estas abelhas no Sul do Brasil.


De 1870 a 1895, recebemos abelhas da Itália no Rio Grande do Sul e em Pernambuco. Além destas, muitas outras foram trazidas, mas não há registros. Mais tarde, em 1956, pesquisadores trouxeram abelhas africanas para o Estado de São Paulo, com o intuito de aumentar a produtividade do mel. Logo estas abelhas cruzaram com as espécies europeias, originando uma espécie híbrida que, devido à sua vitalidade, atualmente é a mais comum nas Américas. É a chamada abelha africanizada brasileira.


Abelhas europeias x abelhas brasileiras


1.As abelhas europeias não são muito agressivas, de maneira geral, e resistem melhor a climas mais frios. Já as brasileiras são mais agressivas e não se adaptam a climas frios, preferindo regiões de clima mais quente.


2.As abelhas brasileiras têm maior resistência a doenças comuns das abelhas europeias. Por isso, no Brasil, a grande maioria dos apicultores não precisa usar antibióticos no tratamento de suas colmeias.


3.A vitalidade das abelhas brasileiras com ferrão mostra resultados na produtividade. Seu raio de ação é maior, e a sua produção de mel, própolis e outros subprodutos são notavelmente maiores.


A abelha operária (ou obreira), preocupada com sua própria sobrevivência e encarregada da proteção da colmeia como um todo, tem um ferrão na parte traseira para ataque em situações de suposto perigo. Esse ferrão tem pequenas farpas, o que impede que seja retirado com facilidade da pele humana. 6


Ferrão das abelhas: um mecanismo de defesa


Quando uma abelha (operária) se sente ameaçada, ela utiliza o ferrão em quem estiver por perto. Após a ferroada, ela tenta escapar, mas devido às farpas, a parte posterior do abdômen, onde se localiza o ferrão, fica presa na vítima. Em alguns casos, a abelha perde uma parte do intestino, morrendo logo em seguida. Já ao picar insetos, a abelha, muitas vezes, consegue retirar as farpas da vítima e ainda sobreviver.


A ferroada da abelha no ser humano é muito dolorosa, e a sensação instantânea é semelhante a de levar um choque de alta voltagem. Seu ferrão é unido a um sistema venenoso que faz com que a pele da vítima inche levemente na região, cerca de 2 cm ao redor, podendo ficar avermelhada, dolorida e coçando por até dois dias.


Apesar disso, o veneno (Apitoxina) não causa maiores danos. Este é produzido por uma glândula de secreção ácida e outra de secreção alcalina, ambas embutidas dentro do abdômen da abelha operária. O veneno, em concentração visível, é semitransparente, de sabor amargo e com um forte odor. Pode ser usado eventualmente com valor terapêutico e possui efeitos positivos na região em que foi injetado. Por outro lado, pode ser um perigo grave ou mortal, se em grande quantidade, para quem é alérgico à sua composição.


Um dica pra quem não conhece bem é não se aproximar muito delas para evitar ataques, no caso de ser uma abelha com ferrão ou vespas.


Na unidade Bom Café está sendo construído um meliponário e um hotel de abelhas solitárias para ajudar na preservação das inúmeras espécies da região.

Aos domingos, é realizada uma atividade de conscientização com as crianças sobre a importância das abelhas, também mostrando de pertinho algumas espécies!

Estamos fazendo nossa parte, mas que tal você também fazer um cantinho das abelhas em casa? 🤔🐝 Agora só falta você vir conferir tudo isso de perto, nos visitando 🥰


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